Ação do SINDSERV garante reintegração de trabalhador

Salve, simpatia!

Cansei de choramingar no feicebuqui e vim pro nosso Sindicato. Agora, me segura!

E pra você que acordou agora, cuidado para não sair da cama pela direita. Dizem que isso dá um azar danado pra todo o país! Aproveita, também, pra respeitar quem nunca dormiu no ponto!

Por aqui, continuo recebendo um monte de denúncias e reclamações. Tem cada presepada, que vou te contar... Mas, hoje, vou aproveitar este espaço pra passar a caminhada de um papo que eu levei com o Orlando de Oliveira, nosso companheiro de trabalho, Condutor de Veículos de Emergência no SAMU, que foi injustamente demitido depois de um acidente doméstico. Pô, meu! Se liga nessa fita, excelentíssimo! No caso do Orlando, o nosso Sindicato entrou em ação e ele já foi reintegrado. Vamos ver como foi a conversa, que também contou com a presença da Drª Débora Irias, da assessoria jurídica do SINDSERV.

Orlando:: Orlando de Oliveira, 44 anos, ingressou na PMSBC como motorista, em abril de 2008. Depois de realizar e ser aprovado em um curso, passou a exercer a função de condutor de veículos de emergência, no SAMU, em junho do mesmo ano. Foi bem avaliado em todos os cinco relatórios de estágio probatório e considerado apto a exercer a função pública. Antes disso, ja havia trabalhado por 15 anos como motorista na iniciativa privada. Trabalhador de boa fé, nunca chegou atrasado ou faltou ao serviço. Até 26 de outubro de 2010, cumpriu com louvor os 956 dias de efetivo exercício na Prefeitura. Foi aí que começou um drama: Orlando sofreu um acidente doméstico e precisou ficar afastado. Um traumatismo craniano passou a provocar convulsões, que o impedem de dirigir à noite. Retornou em abril de 2011 e uma junta médica decidiu readaptá-lo. Passou a trabalhar no controle de frota, à noite, na Secretaria de Saúde. Numa situação de humilhação, durante um ano foi obrigado a ficar todas as noites, das 19h às 7h00 do dia seguinte, do lado de fora do prédio, sem qualquer atividade. Por causa disso, entrou em depressão. "Pensei em me matar, e por muito pouco não o fiz. Numa das vezes, liguei para o SAMU e fui atendido pelo Dr. Gilmar. Ele me falou de minha família, de meus três filhos, hoje com 6, 10 e 18 anos, e me convenceu a desistir", emociona-se Orlando ao recordar das noites ao relento. Uma perícia médica, realizada em agosto de 2012, o considerou inapto para condução de veículos e solicitou sua readaptação. De tanto insistir para fazer algo de útil no trabalho, foi transferido para o período da manhã, como operador de frota e, posteriormente, deslocado para o PID, Programa de Internação Domiciliar, para o setor administrativo da Secretaria de Saúde e para o Serviço Sanitário.

Em fevereiro de 2013, saiu de férias, que deveriam ir até o dia 20 de março. Porém, no dia 15 recebeu uma ligação do Departamento de Gestão de Pessoas para que comparecesse lá com urgência. Para sua surpresa, o assunto era sua exoneração.

Bernardo: Como você recebeu a notícia de sua exoneração?

Orlando: Eu havia saído para resolver algumas coisas com minha filha, de 10 anos. Quando recebi o recado de que deveria comparecer ao RH com urgência, fui direto, com ela me acompanhando. Cheguei lá e disse que tinha sido convocado. Um rapaz desceu com uns papéis na mão e foi logo dizendo: "isto aqui é a sua exoneração, o senhor precisa assinar aqui". Entrei em choque! Não sabia o que fazer e me neguei a assinar. Ele, então, chamou duas testemunhas e registrou que eu estava ciente da demissão. Saí de lá atordoado, com minha filhinha muito assustada em me ver daquele jeito. Fui para casa e contei para minha esposa o que tinha acontecido. Para nós, aquilo parecia um pesadelo. Ficamos pensando o que poderíamos fazer para reverter aquilo e sofrendo muito ao imaginar como ficaria nossa vida.

Bernardo: Foi aí que você acionou o SINDSERV?

Orlando: Não. O desespero era tão grande que eu tinha pensado o seguinte: não sou mais funcionário da prefeitura, fui demitido, então o sindicato não tem mais responsabilidade nenhuma comigo, já que eu não contribuo mais. Só depois é que resolvi procurar ajuda do SINDSERV.

Bernardo: E como foi depois disso?

Orlando: Quando o SINDSERV, através do Departamento Jurídico, me mostrou que o que estava acontecendo comigo era uma injustiça, eu recobrei as forças e tive coragem para continuar lutando. A Drª Débora me disse que a Administração estava cometendo uma ilegalidade, pois já havia me readaptado durante o probatório. Ela levantou o meu CNIS (Cadastro Nacional de Informação Social) e viu que eu sempre fui um trabalhador exemplar. Tudo o que ela ía fazendo e me dizendo, ía me animando e mantendo a esperança de que a justiça seria feita.

Bernardo: Quais foram os momentos mais difíceis?

Orlando: Passei por algumas situações que não desejo para ninguém... As contas começaram a atrasar, as cobranças chegando, o nome sujo. Isto tudo vai deixando a gente desesperado. Um certo dia, fui ao mercadinho perto de casa e comprei duas maçãs e meia dúzia de bananas. Tinha cinco Reais no bolso e queria passar na padaria para comprar pão e leite. Quando cheguei no caixa, a moça passou meu cartão e disse que a transação não tinha sido aceita. Pedi para ela passar novamente. Ela repetiu a operação, que foi negada de novo. De forma grosseira, ela perguntou: "o senhor não tem nem R$6,00 na conta?" Me senti muito humilhado, pois havia gente na fila. Quis pagar com o dinheiro do pão, mas a conta tinha dado R$5,30. Ela, então, me mandou tirar uma maçã e pesar novamente. Foi muito triste. Depois, quando estava chegando a Páscoa, meu filhinho me perguntou se ele ganharia um ovo de chocolate. Eu respondi que sim e acabei sendo questionado, momentos depois, pela minha esposa: "porque você deu esta esperança para ele? Não temos dinheiro nem para a comida!". Aquilo foi me torturando. Dias depois, fui ao Sindicato para ver como estava o andamento do meu processo. Para minha surpresa, a Drª Débora e a Derlânia me chamaram de canto e disseram: "olha, Orlando, a gente não costuma fazer isso, mas resolvemos comprar este ovo de páscoa para suas crianças". Senti uma alegria tão grande de saber que poderia cumprir minha palavra com meu filho que até esqueci dos problemas!

Bernardo: E a notícia da reintegração?

Orlando: Foi uma alegria sem limites! Quando a doutora me deu a notícia, passou um filme em minha cabeça. Lembrei de tudo o que aconteceu neste período, desde o acidente, até o dia em que o funcionário do CARES, para justificar minha exoneração, disse que a prefeitura não estava ali para fazer assistência social. O SINDSERV pra mim, pra minha família, representou o acolhimento que nós tanto precisávamos. Quando fui exonerado, me senti um nada, e o Sindicato me devolveu a esperança e, desde então, não tive dúvidas de que as coisas iriam mudar. Agora, com o dinheiro que vou receber dos meses em que fiquei sem salário, vou começar a colocar a casa em ordem. Hoje, tenho certeza do quanto vale ser sindicalizado. Nenhum advogado aceitaria minha causa. Foi aqui que pude recuperar minha dignidade. É por isso que serei sempre grato aos diretores e funcionários dessa casa, que comemoraram comigo mais esta vitória.

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