José Mario, ex-presidente do SINDSERV de 95 a 97 relata como foi sua gestão

José Mario de Sousa, ex-presidente do SINDSERV de 95 a 97, conta ao Jornal SINDSERV que viveu uma experiência fantástica nos dois anos em que esteve à frente do nosso Sindicato, pois antes de prestar o concurso público para Vigilante, ele era metalúrgico e isso lhe inspirou curiosidade, vontade de estar mais próximo do trabalhador.

Jornal SINDSERV: Conte um pouco sobre a sua experiência como presidente do SINDSERV.

José Mário de Sousa: Minha experiência se deu, justamente, no momento em que montamos a chapa, discutimos, fomos eleitos e empossamos. A partir daí, nós fomos, realmente, colocar em prática aquilo que havia sido discutido. Estar à frente do Sindicato é uma nova vida, é uma coisa totalmente diferente do que muitas pessoas rotulam. O Sindicato é um instrumento do trabalhador, sem ele, os trabalhadores ficam à mercê de uma classe patronal, onde a única expectativa é de explorar o trabalhador. Essa experiência foi uma coisa extraordinária! Nós atuamos na fiscalização do FUPREM, nós atuamos na fiscalização de denúncia de diploma falso, foram dois anos de muitas lutas, não foi fácil não. Fizemos a lição de casa com muita responsabilidade e quando o Demarchi saiu, as coisas mudaram.

Jornal SINDSERV: Durante a sua gestão, como era a participação dos trabalhadores?

JMS: Durante a minha gestão, os trabalhadores ainda eram muito participativos, havia um interesse muito grande. E essa participação efetiva teve uma oposição sistemática, oposição dos trabalhadores em fiscalizar, que é um direito do trabalhador fiscalizar sua entidade, seu patrimônio, no qual o seu dinheiro é descontado, isso é um direito e deve ser fiscalizado, nós tivemos uma oposição muito atuante. Então foi um momento importante.

Jornal SINDSERV: Em 1997 foi inaugurada a sede do SINDSERV. Como foi esse trabalho da construção?

JMS: Na nossa campanha nós garantimos ao funcionário público que se fossemos eleitos, lutaríamos pela casa própria do servidor. A inauguração, em fevereiro de 1997, foi muito emocionante, foi uma das festas mais históricas de todo o processo que eu já vi até hoje no Sindicato. A categoria toda se mobilizou, uma adesão em massa, e foram todos para a festa de inauguração da sede. Fechamos a rua! Foi uma vitória na nossa gestão de dois anos, pois conseguimos sair do aluguel, pagávamos uma fortuna.

Jornal SINDSERV: O que desencadeou a greve de fome em dezembro de 1997?

JMS: Esse é um dos fatos que mais me chama a atenção até hoje. Em dezembro de 1997, o prefeito de época não pagou o 13º e os salários dos funcionários. No dia 30 de dezembro, os servidores vieram em massa para o Sindicato e a única saída que encontramos foi iniciar uma greve de fome, no Paço Municipal. Então, quando foi dia 1º de janeiro, após a posse do novo prefeito aconteceu o que não esperávamos, ele chegou e garantiu o pagamento dos funcionários, tanto do 13º, como dos salários.

Jornal SINDSERV: O que você tinha como sonho quando estava no papel de presidente da nossa entidade?

JMS: Criar uma alternativa para os problemas habitacionais dos servidores. Acredito que o Minha Casa, Minha Casa vai beneficiar muitos trabalhadores, porque já que não conseguimos aumento de salário, pelo menos podemos ganhar a facilidade em adquirimos nossa casa própria. Essa parceria com entidades do Minha Casa, Minha Vida mostra que o Sindicato busca ir de encontro ao desejo do trabalhador.

Jornal SINDSERV: Você se lembra de algum fato marcante da sua gestão?

JMS: Eu, com vontade de acertar, assinei um acordo onde a Administração propôs não pagar mais os 50% de hora extra no dia 15, e sim tudo no dia 30. Foi uma falha terrível, um desgaste muito grande, fizemos uma assembleia para tratar de assuntos, mas desse assunto específico nós não falamos, passou batido, fizemos reunião da diretoria e aceitamos. Um tempo depois algumas pessoas reconheceram que não era tão ruim assim e foram até ao Sindicato para nos agradecer. Isso é gratificante.

Jornal SINDSERV: Quais os desafios você acredita que existam hoje?

JMS: Eu sempre digo que o processo de terceirização, que nós sempre batemos, é um câncer que corrói 24 horas e que a maioria dos presidentes de sindicatos tem batido. Em São Bernardo do Campo, por exemplo, um ex-prefeito terceirizou tudo, começou com as ambulâncias, pedreiros, carpinteiros, e recentemente foram os motoristas, em geral, inclusive os motoristas de secretários, prefeito, tudo e os funcionários de braços cruzados, como se estivesse tudo bem. Eu não entendo, parece que jogou um balde frio em cima de cada um, hipnotizaram cada funcionário. Terceirizam e ninguém faz nada. A terceirização é terrível e o concurso público é essencial!

Jornal SINDSERV: Deixe uma mensagem aos servidores públicos de São Bernardo do Campo

JMS: Não desanimem, o único instrumento de luta que vocês têm é o SINDSERV. Não existe nenhum patrão bom, o Sindicato é uma ferramenta indispensável e compete ao Sindicato, a Diretoria, zelar pelos interesses da categoria. Não fujam do Sindicato, se você não é filiado, você não tem direito de chegar ao diretor e exigir seus direitos. Eu tenho reforçado muito isso, não existe um instrumento mais eficaz, um instrumento de maior poder que o Sindicato, não existe. Então, eu sempre peço: tem denúncia, tem comentário, vá ao Sindicato e fale, é um direito, é uma arma que você tem. Nós somos o Sindicato, ele será e é forte com a nossa participação. Quando vou ao Sindicato me sinto seguro, tem uma estrutura que me defende como trabalhador, como cidadão. O funcionário público sindicalizado tem moral, tem respaldo, tem como cobrar.

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