Giovani Chagas homenageou servidores assassinados pela ditadura

ChagasO presidente do nosso Sindicato, Giovani Chagas, emocionou a todos os participantes da Sessão Solene em Homenagem aos 25 anos do SINDSERV, no dia 23 de maio, quando citou alguns dos servidores públicos assassinados pela ditadura militar (1964-1985). Chagas reconheceu a importância do sangue derramado por estes companheiros para que hoje pudéssemos ter sindicatos de servidores públicos legalizados em todo o país.

Veja o pronunciamento, na íntegra:

"É com muita honra que, em nome da Diretoria do SINDSERV, eu agradeço à bancada de vereadores do Partido dos Trabalhadores por esta homenagem aos 25 anos do nosso Sindicato. Uma homenagem que se estende a todos os dirigentes que passaram pelas várias gestões da entidade, mas, principalmente, uma homenagem às trabalhadoras e aos trabalhadores públicos de nossa cidade.

Afinal de contas, todos sabemos que SEM TRABALHADOR PÚBLICO, A CIDADE PARA!

Há 53 anos, o Brasil começou a sonhar com reformas de base, com a participação da classe trabalhadora no comando dos destinos do país, com a reforma agrária. Teve gente que não gostou...

Daí, há 50 anos, o sonho virou pesadelo e o povo viveu um dos períodos mais tenebrosos da história da pátria: a ditadura militar.

Esta ditadura, que prendeu, torturou e assassinou quem ousasse pensar diferente, impôs aos servidores públicos uma verdadeira amarra, proibindo-lhes o direito de organização sindical. Mas, aos poucos o medo causado pelo pesadelo foi passando, e o povo começou a sonhar de novo.

Veio a campanha pelas diretas, a luta pela anistia, o levante dos operários do Grande ABC. O sonho venceu o pesadelo e a ditadura ruiu!

Era preciso apagar as leis que oprimiam o povo, e o Congresso Nacional promulgou a Constituição de 1988. Foi aí que a liberdade de organização sindical aos servidores públicos de todo o Brasil passou a ser garantida!

Os trabalhadores da Prefeitura de São Bernardo não perderam tempo, e em 11 de janeiro de 1989 era fundado o SINDSERV, o nosso Sindicato!

E ninguém melhor que uma mulher, militante socialista, combatente das lutas populares contra a ditadura, para ser sua primeira presidente. Sandra Zocaratto teve a função de organizar o início de nosso Sindicato e preparar o alicerce para que hoje pudéssemos continuar sonhando com uma entidade cada vez mais forte e presente nas vidas dos trabalhadores públicos de nossa cidade!

É em nome dela que agradecemos a todos os presidentes e diretores que ajudaram a construir esta entidade nestes 25 anos de sonhos, de lutas e de conquistas!

Continuamos sonhando com a emancipação da classe trabalhadora e, de degrau em degrau, de conquistas em conquistas, vamos concretizando e transformando em realidade o sonho de ver a justa valorização de nossas carreiras.

Comemoramos no presente, com os olhos voltados para o futuro e o coração cheio de gratidão por todos aqueles que, no passado, lutaram para que hoje eu pudesse estar aqui, numa casa de leis, por iniciativa de um partido de trabalhadores, podendo dizer que não somos meros serviçais dos governos, nós também somos trabalhadores e fazemos parte da mudança que vem ocorrendo no Brasil nos últimos anos, quando um operário e uma mulher chegaram ao mais alto cargo do serviço público do país.

Coerente com este respeito por todos que lutaram para que pudéssemos nos reunir aqui, hoje, sem medo, que peço licença aos nossos companheiros vereadores para prestar uma homenagem a alguns servidores públicos que foram assassinados pela ditadura militar.

Quero pedir a todos para que fiquemos em pé e a cada nome citado que repitamos "presente":

Afonso Henrique Martins Saldanha

Ana Rosa Kucinski Silva

Antônio Benetazzo

Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira

Francisco das Chagas Pereira

Heleny Telles Ferreira Guariba

Ieda Santos Delgado

José Gomes Teixeira

Maria Lúcia Petit da Silva

Pedro Domiense de Oliveira

A todos eles, aos servidores públicos e ao povo de São Bernardo, reafirmamos nosso compromisso de continuar lutando pelo direito de sonhar, sem dormir no ponto, afinal, sem o nosso trabalho, a cidade para!"

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