Nota à imprensa - 21 de maio

GREVE DOS SERVIDORES PÚBLICOS DE SÃO BERNARDO DO CAMPO

21 de maio de 2015

NOTA À IMPRENSA

Os trabalhadores públicos de São Bernardo do Campo estão em greve desde o dia 13 de maio. A decisão da categoria foi motivada pelo desrespeito da Administração Municipal às negociações da Campanha Salarial.

A data-base definida através de Lei Municipal, assinada pelo próprio prefeito Luiz Marinho, é o mês de março. Para que houvesse tempo hábil nas negociações, a Pauta de Reivindicações foi apresentada ao governo no dia 13 de fevereiro. Depois de muita insistência por parte do SINDSERV, a Administração concordou em agendar reunião no dia 24 de março. Nela, nenhuma contraproposta foi apresentada ou, sequer, o início das negociações, sob o argumento de que teria havido queda na arrecadação e que seria necessário esperar o fechamento do primeiro quadrimestre para uma avaliação mais concreta desta situação financeira.

O SINDSERV, baseado em estudos técnicos e na assessoria de empresa especializada em orçamento municipal e do DIEESE, discordou do posicionamento da Administração, comprovando que a queda na arrecadação não compromete a aplicação integral da pauta de reivindicações. Diante disso, desencadeou uma "jornada de lutas", que contou com a realização de dois grandes atos no centro da cidade, nos dias 8 e 24 de abril, oito atos regionais e uma manifestação na Câmara dos Vereadores, a partir da qual foi agendada uma nova reunião, que aconteceu no dia 7 de maio.

Em 7 de maio, também foi convocada Assembleia pelo SINDSERV, na qual os trabalhadores puderam analisar o resultado da reunião, ocorrido na manhã daquele dia. Mais uma vez, a Administração não apresentou qualquer contraproposta e solicitou que a categoria aguardasse até o final do mês de maio para iniciar as negociações. Diante de tamanho desrespeito, não havia outra alternativa, senão a deflagração da greve, agendada para o dia 13, para cumprimento de dispositivos jurídicos.

A maior greve de servidores públicos da história do Grande ABC

No dia 13, a Praça Santa Filomena, no Centro da cidade, foi tomada por mais de 4 mil trabalhadores, que marcharam até o Paço. No dia seguinte, o número aumentou, e foi assim, dia após dia. No dia 20, oitavo dia de greve, cerca de oito mil pessoas participaram da manifestação e um grupo de cerca de 300 trabalhadores ocuparam a Câmara Municipal. Com o encerramento da Sessão, parte dos manifestantes decidiram permanecer na Casa de Leis, onde pernoitaram, enquanto outro grupo montou acampamento na entrada do Paço Municipal.

O balanço realizado pelo SINDSERV indica que mais de 70% das unidades e serviços da Prefeitura de São Bernardo foram afetados pela paralisação, que é a maior já registrada no serviço público da região.

Sem negociação, a GREVE continua!

A Administração tentou, por duas vezes, impor como condição para as discussões na Mesa de Negociações, a suspensão da greve. Esta proposta foi apresentada na tarde do dia 20, depois de uma reunião entre representantes do prefeito e dirigentes da CUT – Central Única dos Trabalhadores. Apresentada em Assembleia, foi rejeitada por unanimidade. No dia 21, numa nova reunião, desta vez entre governo e SINDSERV, a proposta se repetiu, não tendo sido levada a uma nova Assembleia, pois no entendimento do Sindicato a categoria já rejeitou esta possibilidade na tarde do dia 20.

Desde o primeiro dia, o recado dado pelos grevistas é muito objetivo: sem negociação e sem apresentação de uma contraproposta concreta, séria e respeitosa, a GREVE não será encerrada.

A expectativa da Diretoria do SINDSERV é que a Administração respeite os trabalhadores e apresente, o mais rápido possível, a contraproposta que é esperada pelos mais de 10 mil trabalhadores da ativa, além de cerca de 8 mil aposentados. Este desejo por uma negociação séria é o mesmo entre a população da cidade, que apoia o movimento, mas tem sofrido as consequências da paralisação de diversos setores da Prefeitura e com o trânsito caótico, gerado pela presença de milhares de pessoas nas ruas.

Giovani Chagas,

Presidente do SINDSERV – Sindicato dos Servidores Públicos Municipais e Autárquicos de São Bernardo do Campo.

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