Basta de racismo!

20 de novembro

Manifestações racistas em cadeia nacional, como as protagonizadas por torcedores do Grêmio contra o goleiro do Santos, Aranha, são apenas a ponta de um iceberg de exclusão, violência e discriminação. Vítimas de um cruel processo de escravização, os negros jamais tiveram qualquer compensação por parte do estado brasileiro e, ainda hoje, apesar de significativos avanços, ainda sofrem as consequências históricas desta exploração.

Números preocupantes

Entre 1980 e 2012, a taxa de homicídios no Brasil cresceu 148,5%, totalizando mais de 1,2 milhão de vítimas. São números que superam os de vítimas das guerras que ocorreram no mesmo período. Os principais afetados são os jovens de 15 a 29 anos, representando 88% do total de homicídios. "Além de ser um país com um dos maiores índices de homicídios no mundo, o Brasil está matando mais seus jovens e, entre estes, os negros. Os números são chocantes. Dos 56 mil homicídios que ocorrem por ano, mais da metade são entre os jovens. E dos que morrem, 77% são negros. A indiferença com a qual o tema é tratado na agenda pública nacional é inaceitável. Parece que a sociedade brasileira naturalizou esta situação", afirma Atila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional Brasil.

Ninguém nasce racista!

Apesar dos dados alarmantes na questão da violência, há outros que refletem os resultados positivos da luta do movimento negro no país. No Programa Universidade para Todos (Prouni) de 2013, 55,3% das bolsas são para estudantes negros. Já no Fies, os negros representam 47,41% dos contratos firmados.

A taxa de analfabetismo em 1992 era de 10,6% para brancos e 25,7% para negros; em 2009, 5,94% para brancos e 13,42% para negros. Há, ainda, indicadores sociais que comprovam a melhoria das condições de vida dos trabalhadores negros e dos avanços legais, especialmente através da aprovação de leis que visam combater e punir atos racistas.

Trabalhadores na luta!

Desde sempre, a classe trabalhadora foi a grande aliada de negros e negras na luta contra o racismo. No nosso Sindicato, não é diferente. Dentre as várias ações, organizamos o CARER - Comitê Ação nas Relações Étnicas-Raciais, que tem como objetivo debater a questão racial entre os servidores públicos.

Ketu Riahb, diretor do SINDSERV e Secretário de Combate ao Racismo da FETAM, afirma que o CARER pretende organizar a categoria para se manifestar contra o racismo: "nós, trabalhadores públicos, estamos na ponta do atendimento ao povo e, além de lutarmos contra o racismo aos servidores, podemos interferir positivamente na relação com a população, elevando o grau de consciência nesta questão".

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