Mulheres vão às ruas por mais direitos

Reforma política, luta pela água, defesa da Petrobras e dos direitos dos trabalhadores deram o tom da manifestação

mulheres de sbcNem mesmo a forte chuva que caiu sobre a Avenida Paulista foi capaz de arrefecer o ânimo das mais de 8 mil mulheres que participaram do Ato Unificado do 8 de Março. Dezenas de entidades, entre elas o nosso Sindicato e a CUT – Central Única dos Trabalhadores, organizaram as manifestantes, que realizaram um ato político em frente ao prédio da TV Gazeta e depois marcharam pela Paulista até a Praça Roosevelt.

Arlene de Paula, dirigente do nosso Sindicato, destacou a importância da manifestação: "Aqui, temos mulheres das mais diferentes entidades e orientações políticas, mas todas unidas contra a violência e por mais direitos para todas nós". Outro dirigente do SINDSERV e nosso representante na FETAM, Ketu Riahb falou do aspecto conjuntural da atividade: "Estamos vivendo um momento de ataques à democracia e de surgimento de provocações e manifestações extremamente conservadoras. Quando percebemos os ataques ao patrimônio nacional, como a Petrobras, ou quando sofremos com esta grave crise no abastecimento de água em SP, não podemos deixar de lembrar que as mulheres são as que mais sofrem, e entre elas, as mulheres negras são ainda mais aviltadas pelo conservadorismo e pelas ações de grupos que não se conformam com o crescimento das forças populares e democráticas na América Latina".

Trabalhadoras continuam sendo discriminadas e servidoras não escapam do machismo

A desigualdade no momento de promover e abrir espaço às trabalhadoras nas empresas também foi lembrada pelas manifestantes. Os bancos são um bom exemplo. Mesmo sendo 52% de bancárias, elas ocupam somente 0,3% dos cargos de direção. "E isso ainda porque temos uma cláusula de igualdade de gênero e raça em nossa convenção coletiva nacional. A questão exige ainda mais mobilização nossa para que essa diferença seja combatida", disse Maria Rosane Hashizumi, secretária de Relações Sindicais e Sociais do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

No serviço público, apesar da aprovação ser por meio de concursos, o preconceito se dá de outra forma. Em São Paulo, o governo comandado por Geraldo Alckmin (PSDB) entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir a licença-maternidade de funcionárias públicas em estágio probatório – período de avaliação por três anos que antecede o período de estabilidade.

"Essa é mais uma truculência de um governo que precariza a educação", disse Suely Fátima de Oliveira, secretária para Assuntos da Mulher da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo).
Como a CUT e outras 507 entidades que compõem uma campanha em defesa de uma Constituinte exclusiva e soberana para discutir o sistema político, ela acredita que o momento é de radicalizar a democracia.

Um plebiscito popular realizado em setembro de 2014 colheu quase 8 milhões de assinaturas para que o Congresso convoque a consulta. A estratégia é manter a pressão popular para que a reforma política defendida pelos movimentos sociais e sindical avance no Congresso. Um dos pontos principais reivindicados pelo Plebiscito Constituinte é a paridade entre homens e mulheres nos parlamentos.

 

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