Presidente do Sindicato cobra melhorias no atendimento do IMASF

Chagas levou questionamentos e reivindicações da categoria pela melhoria do atendimento no convênio médico. Situação financeira do IMASF é crítica, afirma superintendente.

gloria e chagasNa manhã desta segunda-feira, 9 de novembro, o presidente do SINDSERV, Giovani Chagas, reuniu-se com a Superintendente do IMASF, Glória Satoko Kono, que assumiu o cargo na Autarquia no dia 18 de setembro. Chagas apresentou as principais reivindicações, reclamações e preocupações da categoria em relação ao atendimento em todos os planos: Especial, Intermediário e PFGB. Veja os principais pontos da reunião e os encaminhamentos sugeridos:

Rede de Atendimento

Chagas apresentou o grande número de reclamações de trabalhadores que chegam ao Sindicato, todos os dias, em relação ao descredenciamento de clínicas e profissionais. Glória explicou que todos os esforços da nova gestão vão no sentido de garantir a manutenção da atual rede de atendimento, porém, há uma necessidade urgente de discussão entre a Autarquia e as empresas e profissionais para definição de novos protocolos. Em alguns casos, estaria ocorrendo uma reprogramação de pagamentos.

Segundo a Superintendente, os contratos são muito antigos e há necessidade de revisão das tabelas. Ao mesmo tempo, o IMASF estaria estabelecendo um processo de fortalecimento das auditorias.

Exigência de Laudos

Outra reclamação dos trabalhadores é em relação à exigência de apresentação de "laudos médicos" para a autorização de exames e outros procedimentos.

Glória explica que não se tratam de laudos, mas justificativas técnicas para determinados pedidos.

Estas justificativas não se aplicam a exames de rotina, nem aos preventivos. Ocorrem quando há uma certa disparidade entre a especialidade do atendimento e o pedido de exame. Por exemplo: um cardiologista solicita tomografia de mamas – ele terá que apresentar uma justificativa técnica para este pedido.

No caso de agendamentos antigos, os atendimentos estão garantidos, não necessitando de apresentação de justificativa.

Segundo ela, com esta medida pretende-se evitar possíveis abusos e procedimentos desnecessários, que estariam agravando a situação financeira do Instituto.

Recredenciamento do Hospital Brasil, IFOR e outras clínicas

Chagas destacou que uma das grandes frustrações dos segurados é o descredenciamento de hospitais e clínicas de referência, como o Hospital Brasil. Glória explicou que o IMASF está trabalhando para reativar o atendimento nestes locais e, para isso, estabeleceu um processo de diálogo com as empresas, a partir do estabelecimentos de novos protocolos, preços e tabelas. "Precisamos chegar a um ponto em que o atendimento seja garantido a partir de protocolos razoáveis para as empresas e para o IMASF, com maior rigor nas auditorias", afirma Glória.

Ainda sobre o Hospital Brasil, a dirigente afirmou que a venda da empresa para a Rede D'Or impôs um novo patamar de negociações: "Estamos falando de uma rede que é proprietária de vários hospitais e clínicas, com investidores do setor financeiro que, obviamente, visam lucro através destes investimentos".

Hospital do IMASF

Chagas cobrou, ainda, a utilização do hospital construído pelo IMASF para atendimento de seus segurados. Glória explicou que o hospital não está pronto, a estrutura interna ainda está no contra-piso, não há mobiliário, nem equipamentos necessários para que um hospital funcione. Segundo a superintendente, a Autarquia não tem recursos para conclusão da obra e seria necessária uma parceria para que isto fosse possível.

PFGB

No atendimento aos beneficiário do plano PFGB, Chagas cobrou que se garantam atendimentos, prioritariamente, em São Bernardo do Campo. Segundo a superintendente, os atendimentos emergenciais têm ocorrido no Hospital São Bernardo e uma van está a disposição dos segurados do PFGB todos os dias, com saída às 13h e retorno às 17h, para o hospital Salvalus, da Green Line, em São Paulo.

Para o SINDSERV, este atendimento, apesar de ter apresentado melhorias, ainda é insuficiente.

A boa notícia para os segurados do PFGB é que uma antiga reivindicação do SINDSERV, finalmente, foi atendida, e TODOS poderão votar nas eleições do IMASF.

Problemas de gestão e crise financeira

No centro dos problemas vividos pelos trabalhadores e por seus familiares nos atendimentos prestados pelo IMASF, estão dois quesitos fundamentais: problemas de gestão/organização e crise financeira.

Segundo a Superintendente, o déficit mensal ultrapassa R$1 milhão. Fica evidente que houve displicência na gestão da Autarquia. Qualquer pai ou mãe de família sabe, perfeitamente, que quando as despesas são maiores que as receitas há necessidade de readequação do orçamento, com redução e cortes de custos. Lamentavelmente, não foi assim no IMASF.

O diagnóstico dos problemas financeiros e estruturais do IMASF ainda não está completo: "A cada dia, descobrimos uma nova torneira aberta, com os recursos vazando pelo ralo. Temos que fechar estas torneiras e repensar o modelo de organização", afirma Glória.

Abertura de concurso público e atendimento direto

O presidente do nosso Sindicato também cobrou a abertura de concurso público na autarquia. Gloria colocou que esta opção faz parte da proposta de reestruturação, inclusive com concurso público para contratação de profissionais que não constam do quadro de funcionários.

Há, também, a intenção de ampliar o atendimento direto, pois foi constatado que há um excesso de procedimentos na rede credenciada, que deverá passar por um maior controle por parte do Instituto, com o fortalecimento das auditorias.

Prestação de contas

Chagas propôs a realização periódica de prestação de contas e apresentação transparente da situação da autarquia, funcionamento efetivo da Ouvidoria e a destinação benéfica aos segurados dos imóveis e terrenos em posse do IMASF, sugestões que contaram com a simpatia da superintendente.

"A constatação de que o Instituto passa por sérias dificuldades financeiras não é nova para nós. No SINDSERV, já apontávamos os problemas ocasionados em virtude destas dificuldades e, por isso, sempre tivemos uma atitude responsável de buscar soluções concretas. Em nossa opinião, a questão da saúde de nossas famílias é prioridade, por isso, reafirmamos que 'quanto pior, pior para todos'. Não podemos permitir que o IMASF seja utilizado, por quem quer que seja, para outros fins que não o bom atendimento à nossa categoria", afirma Chagas.

Cobrança também é direcionada à Administração

Os mesmos questionamentos e cobranças feitos ao IMASF serão levados à Administração.

"A crise financeira no IMASF é evidente e o SINDSERV vai deixar claro ao governo que os trabalhadores e suas famílias não podem e não vão pagar por ela", afirma o presidente Giovani Chagas.

Além de reuniões constantes e atendimentos individualizados através do nosso Departamento Jurídico, o SINDSERV também realizou protestos contra a situação vivida no IMASF e ingressou com ações na Justiça, no Procon e na ANS.

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