Trabalhadora sofre acidente na Zoonoses e chefia é incapaz de apontar soluções

Falta de funcionários e de EPIs têm gerado graves problemas no setor

Na manhã desta quinta-feira, 23 de novembro, nossa companheira de trabalho, Selma, operadora na Divisão de Veterinária e Controle de Zoonoses, foi atacada por um cão enquanto fazia a limpeza do canil.

No relatório sobre o acidente, a chefia do setor afirma que a trabalhadora foi atacada "sem motivo algum". Tal afirmação deixa evidente a busca por um único responsável: o cão. Na verdade, esta situação é prevista neste tipo de trabalho e num local onde há animais recolhidos das ruas.

Por isso, a recomendação é de sempre haver mais de um profissional nas tarefas de limpeza ou de tratamento, além do obrigatório uso de equipamentos de proteção individual, EPIs. Porém, ainda que estes critérios básicos fossem observados, a estrutura mal planejada do canil não evitaria o acidente, pois o ideal é que a abertura das portas laterais seja de forma mecânica, na parte externa, sem a menor possibilidade de contato com o trabalhador com os animais.

É por isso que o SINDSERV não tem a menor dúvida em afirmar que A GRANDE RESPONSÁVEL POR ESTE ACIDENTE, E POR TANTOS OUTROS QUE VÊM OCORRENDO, É A "GESTÃO" MUNICIPAL, que não demonstra nenhuma preocupação com a melhoria das condições de trabalho e na estrutura do local onde os seus trabalhadores prestam serviço.

Segundo relatos dos Diretores do SINDSERV que vistoriaram o espaço, "além de se tratar de um local insalubre, é necessário que várias adequações sejam efetuadas no canil, visto que apresenta problemas na maioria das portas laterais (Porta de Cambagem), onde se faz necessário o uso da força para a abertura, causando, até mesmo, a queda das portas laterais. Além disso, diante do projeto mal feito do canil, as portas são de ferro e estão enferrujadas devido à urina dos cães".

 

Reuniões infrutíferas

Diretores do SINDSERV deslocaram-se ao local, assim que foram informados do ocorrido, e realizaram reunião com a chefia. Além disso, anteriormente, uma outra reunião já havia sido realizada com esta mesma chefia, onde o Sindicato apontou os riscos que os trabalhadores estavam correndo em virtude da falta de pessoal, das péssimas condições de trabalho e da ausência de equipamentos de proteção adequados. Em ambas, a resposta foi a mesma: já encaminharam os pedidos às instâncias superiores, que dizem que não podem fazer nada, pois não há verba suficiente.

Não tem dinheiro para proteção dos trabalhadores, mas para o marketing e para as terceirizações, está sobrando!

Em mais uma ação de marketing, o prefeito, vice, secretários e vereadores, estiveram no Centro de Controle de Zoonoses, no dia 26 de outubro, onde foi anunciada uma "parceria" com uma empresa de Santo André, que vai receber R$380 mil por ano para castrar cães e gatos e, segundo o prefeito, zerar a fila de espera, que conta com 1500 animais.

Antes do anúncio/show, não faltaram trabalhadores na Zoonoses! Tudo limpo, pintado, cheiroso! Afinal, num bom marketing, as fotos e vídeos precisam capturar toda essa "beleza" divulgada no discurso do "gestor". "Poucos dias depois, estamos aqui relatando que nossa querida Selma foi atacada por um pitbull e teve seu braço muito ferido, e que isso poderia ter sido evitado, caso o dinheiro gasto com propaganda fosse investido em melhores condições de trabalho", afirmou André Luiz, diretor de Relações do Trabalho do SINDSERV e trabalhador do Centro de Zoonoses.

A Prefeitura teria totais condições de exercer sua função no controle de zoonoses e na castração de animais, caso os investimentos fossem diretos, não terceirizados, como neste caso. Além disso, os próprios protetores da cidade desmentem o prefeito em sua própria página do Facebook e apontam o equívoco de mais esta terceirização. Segundo Ely Waisberg, "O público-alvo (animais em situação de rua e de tutores de baixa renda) não será beneficiado, uma vez que as protetoras, em sua maioria desprovidas de veículos próprios, não terão possibilidade de arcar com os custos do transporte até outro município. Infelizmente a tendência é que a procriação entre essa população aumente em proporções indesejáveis". Todos sabemos que este aumento indesejável vai parar na Zoonoses, que já não tem a menor condição de atender a demanda atual.

A população também tem denunciado as dificuldades de contato com os responsáveis pelo serviço. Segundo Jeniffer Siviero Pacheco, depois de várias tentativas de contato, foi informada que não poderia participar do programa, pois não tem um comprovante de endereço em seu nome: Sou casada e todos os comprovantes de endereço constam em nome do meu marido, informei a responsável que tenho a certidão de casamento e que levaria o comprovante de endereço no nome, me disseram que não serve. Como assim, não serve? Para qualquer coisa serve. A moça me disse pra fazer no nome do meu marido, porém, ele trabalha até as 19h e não tem tempo de ir atrás, por conta disso eu não posso participar".

Próximos passos

Felizmente, Selma está passando bem e não terá sequelas, apesar da necessidade de acompanhamento da Vigilância Sanitária quanto aos riscos de contrair hidrofobia.

O SINDSERV vai notificar todos os órgãos pertinentes quanto ao acidente de trabalho e continuará exigindo que a Prefeitura ofereça condições dignas aos trabalhadores.

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