Vereadores ignoram educadores e aprovam mudanças no Estatuto

Truculência e desrespeito aos trabalhadores e à população marcaram Sessão da Câmara

Sob forte aparato de segurança e com um grande grupo de provocadores, supostamente contratados por um vereador governista, a Sessão da Câmara ocorrida na manhã desta quarta-feira, 13, foi marcada pelo desrespeito aos trabalhadores públicos e à população. Antes mesmo da abertura da "Casa do Povo", um grupo já ocupava parte das galerias, em apoio ao prefeito. Essa ação nada democrática, impediu que dezenas de trabalhadores, inclusive aposentados, pudessem entrar na Câmara.

Apesar da truculência, o SINDSERV fez uso da tribuna, onde o diretor Dinailton Cerqueira, que é professor, reivindicou, mais uma vez, o Abono de Natal e denunciou a prática desrespeitosa da Administração, que encaminhou projeto de alteração do Estatuto dos Profissionais da Educação sem nenhuma discussão com a categoria: "Não podemos admitir que isso aconteça, que as questões de interesse dos servidores sejam alteradas sem qualquer diálogo com a categoria. É inadmissível que os vereadores aprovem este projeto sem nos dar a possibilidade de, no mínimo, conhecê-lo e debatê-lo com os educadores".

O vereador Joilson (PT) propôs que se interrompessem os trabalhos para que os vereadores recebessem uma comissão do SINDSERV para discutir o tema, mas apenas seis vereadores votaram a favor. Na sequência, apesar dos apelos dos trabalhadores, o presidente da Câmara colocou o projeto de alteração do Estatuto, que foi aprovado, sem debate.

Quanto ao Abono de Natal, apenas os vereadores da oposição manifestaram-se favoravelmente, enquanto a base governista, mais uma vez, simplesmente ignorou os servidores.

O presidente do SINDSERV, José Rubem, lamentou a ação dos parlamentares: "Muitos desses vereadores foram eleitos com votos de servidores e de seus familiares, que acreditaram nas promessas de valorização da categoria. Agora, agem com este desrespeito e viram as costas às nossas reivindicações mais elementares. Quem tanto procurou os servidores durante as eleições, agora nega-se a dialogar".

QUEM GOVERNA A CIDADE?

A truculência observada na Sessão da Câmara teve um elemento, no mínimo, curioso: faixas e palavras de ordem contra o PT. Questionada porque estava ali, uma moça não teve vergonha alguma em afirmar que era "contratada pelo vereador". A impressão, diante de gritos de "Fora PT", era de que o prefeito ainda era o anterior, e que o PSDB ainda estava na oposição.

Dezenas de militantes da CMP – Central de Movimentos Populares, que organizaram um ato contra a corrupção na prefeitura, e munícipes da Vila Moraes, que estão sendo expulsos de suas casas, onde residem há mais de 20 anos, por ação da própria secretaria denunciada no esquema de corrupção, venda de cargos e formação de quadrilha, também ficaram para fora.

É esta a democracia praticada pela "gestão" e por sua base na Câmara?

Onde está o respeito aos cidadãos e aos servidores? Onde foram parar as promessas de valorização da nossa categoria?

Será que eles não entenderam que AGORA ELES SÃO O GOVERNO? Quando vão descer do palanque e começar a governar a cidade?

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