Secretária geral recebe prêmio por atuação na sociedade

Vivia e filhasA secretária geral do SINDSERV, Vivia Alves Martins, foi uma das homenageadas no 9º Prêmio Carolina Maria de Jesus "Mulheres Negras na Luta por uma Sociedade Mais Justa e Igualitária", promovido pelo Setorial de Combate ao Racismo do Partido dos Trabalhadores de São Bernardo do Campo. A premiação ocorreu na sexta-feira, 27 de julho, na sede do PT municipal.

Vivia é GCM, foi do Comitê Sindical de Base da SSU e na atual gestão foi eleita secretária geral do nosso Sindicato. Mãe da Victoria, 20, e da Giovanna, 6, Vivia tem como um de seus desafios apresentar aos seus companheiros de farda a importância dos movimentos sociais e levar um novo olhar sobre esse tema para dentro da Guarda. placaAo mesmo tempo, quer dialogar com os movimentos sobre como funcionam os serviços de segurança pública e o quanto os profissionais são obrigados ao cumprimento de determinadas ordens, que vão contra os próprios movimentos: "Minha categoria precisa compreender a importância do trabalho social e de como é melhor viver sem intolerância, e os movimentos precisam compreender que o profissional de segurança, às vezes, toma certas posturas por desconhecer a importância desse trabalho social e por cumprir ordens superiores", afirma a homenageada.


QUEM FOI CAROLINA MARIA DE JESUS

CarolinaCarolina Maria de Jesus (1914-1977) foi um a escritora brasileira, considerada uma das primeiras e mais destacadas escritoras negras do País. Autora do livro autobiográfico "Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada".

Carolina Maria de Jesus nasceu em Sacramento, no interior de Minas Gerais, no dia 14 de março de 1914. Neta de escravos e filha de uma lavadeira analfabeta cresceu em uma família com mais sete irmãos. Recebeu o incentivo e a ajuda de Maria Leite Monteiro de Barros – uma das freguesas de sua mãe, para frequentar a escola. Com sete anos, ingressou no colégio Alan Kardec, onde cursou a primeira e a segunda série do ensino fundamental. Apesar de pouco tempo na escola, Carolina logo desenvolveu o gosto pela leitura e escrita.

Em 1924, em busca de oportunidades, sua família muda-se para Lageado, onde trabalham como lavradores, em uma fazenda. Em 1927 retornaram para Sacramento. Em 1930 vão morar em Franca, São Paulo, onde Carolina trabalha como lavradora e em seguida como empregada doméstica. Com 23 anos, perde sua mãe e vai para a capital onde emprega-se como faxineira na Santa casa de Franca e em seguida como empregada doméstica.

Morando em uma favela, durante a noite trabalha como catadora de papel. Lê tudo que recolhe e guarda as revistas que encontra. Estava sempre escrevendo o seu dia a dia. Em 1941, sonhando em ser escritora, vai até a redação do jornal Folha da Manhã com um poema que escreveu em louvor a Getúlio Vargas. No dia 24 de fevereiro, seu poema e sua foto são publicados no jornal. Continuou levando regularmente seus poemas para a redação do jornal. Foi apelidada de "A Poetisa Negra" e cada vez mais admirada pelos leitores.

Em 1948 muda-se para a favela do Canindé. Nos anos seguintes, Carolina foi mãe de três filhos, todos de relacionamentos diferentes. Em 1958, o repórter do jornal Folha da Noite, Audálio Dantas, foi designado para fazer uma reportagem sobre a favela do Canindé e por acaso, uma das casas visitadas foi a de Carolina Maria de Jesus, que lhe mostrou seu diário, surpreendendo o repórter que ficou maravilhado com a sua história.

No dia 19 de maio de 1958, Audálio publicou parte do texto, que recebeu vários elogios. Em 1959, a revista O Cruzeiro também publica alguns trechos do diário. Mas foi em 1960 que foi finalmente publicado o livro autobiográfico "Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada", em edição de Audálio Dantas. Com tiragem de dez mil exemplares, só a noite de autógrafos foram vendidos 600 livros.

Com o sucesso das vendas, Carolina deixa a favela e pouco depois compra uma casa no Alto de Santana. Recebe homenagem da Academia Paulista de Letras e da Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo. Em 1961 viaja para a Argentina onde é agraciada com a "Orden Caballero Del Tornillo". Nos anos seguintes publica: "Casa de Alvenaria: Diário de uma Ex-favelada" (1961), "Pedaços da Fome" (1963) e "Provérbios" (1965).

Apesar de ter um livro transformado em Best-seller, Carolina não se beneficiou com o sucesso e não demorou muito para ela voltar à sua condição de catadora de papel. Em 1969 mudou-se com os filhos para um sítio no bairro de Parelheiros, em São Paulo, época em que é praticamente esquecida pelo mercado editorial.

Carolina Maria de Jesus faleceu em São Paulo, no dia 13 de fevereiro de 1977.

(Fonte: e-biografia)

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