HTPC à distância: próximos passos precisam ser dados para avanço na Educação

passos juntos HTPC EAD 17jul2016 siteDesde o início do ano, temos coletado a demanda por HTPC à distância nas unidades escolares. Soubemos de duas unidades escolares que já estavam experimentando este modelo de HTPC e procuramos os gestores e professores destas escolas para maiores informações.

Em maio, elaboramos uma pesquisa para ouvir a categoria, suas expectativas e necessidades. Centenas de profissionais do magistério entraram em contato conosco, através de e-mail, WhatsApp ou Facebook. Trabalhadores de 120 escolas do município se manifestaram, respondendo ao questionário individual ou coletivamente, a partir de discussões feitas nas escolas, e 98% dos trabalhadores que responderam se mostraram favoráveis à possibilidade de implementação do HTPC à distância.

No dia 17 de junho, representantes do SINDSERV, Administração e Secretaria de Educação se reuniram para discussão desta e de outras pautas específicas da Educação.

Os principais pontos levantados na pesquisa em defesa desse recurso foram:

• Inclusão digital: formação para todos os profissionais do magistério e acesso aos recursos que o ambiente virtual pode oferecer;

• Segurança: os relatos de violência nas unidades (furtos, invasões, roubos, etc.) são registradas em maior número no período noturno;

• Atualização tecnológica e acesso à informação: possibilidade de acompanhar as novidades da educação e da tecnologia propriamente;

• Participação de todos os professores, na medida em que a frequência é condicionada à este quesito, mesmo os mais tímidos se sentem mais a vontade num ambiente virtual;

• Produtividade e objetividade nas discussões: o ambiente virtual favorece o foco no debate proposto e a necessidade de redigir implica em objetividade, revisão e contextualização do que será postado para o grupo;

• Flexibilidade de horário: o professor pode determinar o melhor horário para acessar a plataforma;

• Interatividade e qualidade: as plataformas oferecem a possibilidade de utilização de vários recursos de pesquisa, debate, construção coletiva de textos, web conferência, acesso à vídeos, etc..

Recentemente outros aspectos foram abordados por grupos que estão discutindo o assunto:

• Preservação do meio ambiente: já que os materiais para estudos são disponibilizados via online e possibilidade de ampliar as referências, já que não possuem mais a necessidade de imprimir textos;

• Na remoção muitos professores ficam condicionados aos dias em que se realizam os encontros presenciais, muitas vezes não é possível escolher um local melhor por causa do dia em que estes encontros ocorrem;

• Professores que cursam faculdade muitas vezes desistem, pois um dia da semana pelo menos durante todo o ano ele terá que faltar;

• O HTPC teria como único propósito a formação e o planejamento, os recados poderiam ser dados de outra forma; A memória do encontro fica registrada pelo ponto de vista e com as reais contribuições de todo o grupo e podem ser retomadas sempre que necessário na íntegra se preciso for, pois as famosas atas acabam, muitas vezes, não dando conta da riqueza de assuntos abordados.

Os pontos frágeis da proposta, que suscitam preocupação e para os quais temos que nos mobilizar para fazer a devida cobrança e acompanhamento são:

• Falta de capacitação dos trabalhadores do magistério, inclusive porque alguns profissionais ainda não tiveram formação tecnológica;

• Falta de contato pessoal para realizar os debates: para alguns profissionais, especialmente para os gestores, o encontro presencial é fundamental para o avanço do grupo (muitos profissionais manifestaram a possibilidade de manter alguns presenciais com este propósito);

• Segurança não seria uma justificativa razoável para rever a forma de HTPC, pois a EJA (Educação de jovens e adultos) é de noite, inclusive por sua especificidade. Neste sentido a adesão dos trabalhadores à Campanha "Queremos Trabalhar em Paz" e a necessidade de profissionais de segurança nas unidades se faz urgente e sobre a qual não abrimos mão;

• Falta de equipamento e internet para todos os profissionais: Por este mesmo motivo neste momento inicial cuidamos para que não seja uma obrigação para todas as unidades escolares e como sugestão de alguns professores, os laboratórios de informática poderiam ser disponibilizados, tanto na própria unidade, quanto em outras próximas, para os grupos nos quais algum professor não tenha o recurso, mas que mesmo assim por unanimidade tenha concordância em aderir a este modelo. As condições estruturais também serão debatidas com a SE.

A partir dessas devolutivas e das visitas diárias dos dirigentes sindicais à base, avaliamos que a principal questão quanto à implementação desse tipo de HTPC é que a discussão deve envolver todos os professores e equipes gestoras, resguardando-se a autonomia das escolas.

Alguns tópicos que apresentamos foram os seguintes:

• Capacitação para todas as equipes gestoras: a Secretaria de Educação afirmou que é possível, através dos laboratórios de informática; nas unidades onde não houver este espaço, é possível a organização de grupos para formações;

• Autonomia das escolas: houve consenso que os HTPCs neste formato deverão estar de acordo com o Projeto Político Pedagógico das unidades e continuarão sendo acompanhados pelos Orientadores Pedagógicos;

• Plataforma: as escolas que já realizam os HTPCs à distância estão utilizando a plataforma do Portal da Educação, mas ela não suportaria o uso por todas as unidades escolares. Defendemos o uso de outras plataformas livres e gratuitas, como por exemplo, a Moodle, ou mesmo a Hangouts.

• Tempo de dedicação: representantes da SE apontaram a preocupação com o controle do tempo que os professores estariam utilizando para a realização dos HTPCs. Conforme experiências já executadas na rede, é possível acessar o registro de entrada e saída dos professores nas plataformas, mas, para nós, mais importante do que o tempo que ficam "logados", é a qualidade da participação de todos nas discussões, a partir dos objetivos propostos pela coordenação;

• Quantidade de HTPCs à distância: de início, a Secretaria de Educação propõe a autorização de um ao mês, mediante projeto da unidade e consenso do grupo escolar. Concordamos, por ser um projeto experimental, mas defendemos que, após as primeiras experiências e avaliações, cada equipe escolar tenha autonomia para definir o formato dos seus HTPCs, ampliando, inclusive, o número de sessões à distância.

• Organização da rede: para que esta experiência possa ser exitosa e trazer bons frutos para a educação e seus profissionais, ficou acordado que faremos novos encontros para aprofundar o assunto, estreitando, também, o debate com a categoria.

Gostaríamos que outras equipes escolares que tenham elaborado seu projeto, entrem em contato conosco para que possamos acompanhar a liberação para realização pela Secretaria de Educação e se o respectivo suporte está sendo oferecido.

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