Falta de EPIs e alagamento no Cemitério do Baeta colocam em risco a saúde do trabalhador

Alagamento nos túmulos do Cemitério do Baeta pode contaminar lençol freático

O SINDSERV foi notificado sobre as péssimas condições de trabalho no cemitério do Baeta e sobre alagamento dos túmulos. Em visita ao cemitério, os diretores do SINDSERV, Célio Vieira e Liu Marinho verificaram que a situação era ainda mais alarmante: falta de EPIs e uniformes e trabalhadores expostos a riscos de acidentes pela má conservação dos túmulos e acessos. Além disso, todos os munícipes podem ser afetados pelo alagamento dos túmulos e ossário, já que a água, que pode estar contaminada, chega facilmente ao lençol freático.

Risco de contaminação

O alagamento, que foi a motivação da visita, ainda não tem uma causa definida, para que fossem iniciados os encaminhamentos, a Técnica em Segurança do Trabalho do SINDSERV, Priscila Santos, procurou a CETESB – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo – para maiores esclarecimentos sobre a questão, apontando a necessidade de estudos apropriados.

Essa situação, além de proporcionar uma condição insalubre para o trabalhador, que fica exposto à água que pode estar contaminada, pode oferecer risco a toda população, através da contaminação do solo e lençol freático pelo necrochorume que contém duas substâncias orgânicas muito tóxicas, a cadaverina e a putrescina, além de vírus, bactérias e substâncias que podem existir nas urnas, como arsênico e formaldeído.

Dependendo das condições geológicas, o necrochorume pode alcançar o lençol freático praticamente íntegro, com suas cargas contaminantes químicas e microbiológicas. Os vetores introduzidos no lençol freático, graças ao seu escoamento, podem ser disseminados nos entornos imediato e mediato do cemitério, podendo atingir grandes distâncias, caso as condições hidroecológicas favoreçam.

Descaso com trabalhadores e população

"A realidade enfrentada pelos trabalhadores do cemitério é de grande risco, pelas péssimas condições oferecidas para que seja exercida a função, e também, pelo desvio de função, já que eles são forçados a cumprir atividades que não são atribuições do cargo", explica Liu Marinho, diretor de Políticas Sociais do Sindicato.

Célio Vieira, diretor de Assuntos Jurídicos e Comunicação, complementa "o uniforme que os trabalhadores usam no momento foi doação e não atende requisitos básicos, faltam EPIs que são necessários para execução das atividades. Os sepultadores executam os sepultamentos, a limpeza dos túmulos e até a retirada dos ossos sem equipamentos adequados, como luvas, botas, capacetes e óculos de segurança. Além da gestão de saúde e segurança do trabalho que é inexistente."

Os ambientes de cemitérios são semelhantes aos aterros sanitários, uma vez que em ambos os lugares são enterrados materiais orgânicos e inorgânicos.

Não é difícil de perceber o risco causado por agentes como bactérias e fungos que são responsáveis pelo processo de decomposição estão presentes nos cemitérios e que o contato com material contaminado representa riscos de infecção.

Agentes patogênicos como bactérias anaeróbias, que estão presentes no solo, são extremamente perigosas quando entram em contato com organismos vivos, por isso a necessidade de utilizar equipamentos de proteção adequado ao ambiente de trabalho.

E ainda por cima violência!

O descaso se estende para a população, a falta de segurança no cemitério não permite que sejam feitos velórios a noite, já que ocorreram assaltos e arrastões dentro das instalações do cemitério. Os velórios da noite estão sendo transferidos para o Cemitério da Paulicéia.

Providências urgentes!

O Departamento de Saúde e Segurança do Trabalho do SINDSERV, está realizando as ações necessárias para o encaminhamento desta importante questão, entre elas estão a notificação da Vigilância Sanitária e da prefeitura para tomada de providências para a solução dos problemas identificados.

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