Neste sábado, São Bernardo do Campo viveu um momento histórico. Aconteceu a primeira Caminhada Verde da região do Grande ABC, reunindo pessoas, organizações e vozes em defesa da vida, da natureza e dos direitos sociais. Foi mais que uma caminhada: foi uma verdadeira aula pública ao ar livre, costurando temas urgentes que atravessam o nosso tempo.
Caminhamos pela taxação das grandes fortunas e pela inversão de prioridades: não é o povo que deve pagar a conta da crise, mas os bilionários que lucram com a destruição ambiental e a precarização do trabalho.
Também denunciamos o papel de bancos e governos no financiamento de grandes projetos de exploração das terras e dos bens naturais, como o agronegócio predatório, a mineração e obras que avançam sobre comunidades, florestas e mananciais. O crescimento precisa existir, sim — mas não qualquer crescimento. Precisamos repensar quais são os projetos que queremos financiar como sociedade e para onde vão os recursos públicos.
Reivindicamos que cada vez mais o orçamento público — seja nos ministérios, seja nas secretarias municipais — destine recursos para ações concretas de mitigação, adaptação e transição ecológica justa. Exigimos que os eixos debatidos na 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente deixem de ser apenas propostas no papel e se tornem políticas públicas reais, com investimento, monitoramento e participação social.
Caminhamos pela preservação da Represa Billings, por um modelo de cidade que respeite seus territórios de mananciais, suas áreas verdes e o direito de todas e todos à água limpa e ao ar puro.
Em São Bernardo, denunciamos a possibilidade de novos projetos de logística que podem destruir áreas verdes valiosas da cidade. Projetos que, a exemplo do que já acontece em tantas regiões do Brasil, seguem a lógica predatória da mineração, da especulação e da expulsão. Denunciamos também os empreendimentos habitacionais que, embora se apresentem como solução, não atendem a quem mais precisa de moradia – mas sim ao mercado, ao lucro e ao avanço da urbanização excludente sobre territórios que deveriam ser preservados.
A Caminhada Verde nasce para lembrar que justiça ambiental, social, fiscal e indígena são inseparáveis. Que a luta por uma cidade mais verde é também a luta por uma cidade mais justa. Que o futuro só será possível se for sustentável — para todos, não para poucos.

