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25 de Julho: Mulheres Negras no Serviço Público Fortalecem a Consciência e a Luta por Justiça Social

O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho, é mais que uma data simbólica: é um chamado à valorização das mulheres negras na construção de sociedades mais justas, solidárias e democráticas. No Brasil, a data também celebra Tereza de Benguela, símbolo de liderança coletiva e resistência. No século XVIII, Tereza comandou o Quilombo do Quariterê, comunidade autônoma formada por negros e indígenas no atual estado do Mato Grosso. Sob sua liderança, o quilombo estruturou sistemas de defesa, produção, comércio e organização política, resistindo por mais de duas décadas ao regime escravocrata.

Sua trajetória inspira até hoje as lutas das mulheres negras brasileiras, que, em diferentes territórios, reinventam formas de viver e resistir. Essa força se manifesta nas trabalhadoras informais, nas lideranças comunitárias, nas mães periféricas e militantes que enfrentam diariamente o racismo, a violência de gênero, a exploração e a negação de direitos. E se expressa, com igual potência, na atuação das servidoras públicas negras, que, com coragem, inteligência e compromisso coletivo, sustentam políticas essenciais à população e fortalecem a presença do Estado nas periferias.

Tereza de Benguela liderou homens e mulheres, negros e indígenas unidos na luta por liberdade, autonomia e dignidade. Sua posição à frente de uma organização política e militar em pleno período colonial faz dela uma figura de referência para os movimentos de mulheres no Brasil. Representa a coragem das mulheres negras diante das opressões e a força do feminino na construção de outras formas de existência e poder. Sua memória evoca a sabedoria e a capacidade de liderança que marcam a trajetória das mulheres que lutam por justiça e liberdade.

Reconhecer Tereza é resgatar uma das mais potentes expressões de resistência negra e feminina em nossa história. Matriarca, estrategista e articuladora política e econômica, ela transformou o Quilombo do Quariterê em um símbolo de autonomia, criando uma estrutura que incluía parlamento, agricultura, comércio e defesa armada. Sua morte violenta pelas mãos do regime colonial não apagou sua memória — ao contrário, fertilizou novas formas de resistência. O reconhecimento oficial de sua trajetória, conquistado apenas em 2014¹, após séculos de invisibilização, revela o quanto o Brasil ainda silencia as lutas das mulheres negras. Tornar sua história visível e parte da memória coletiva é um gesto político de reparação e fortalecimento da consciência crítica.

Garantir um serviço público de qualidade, gratuito, inclusivo e acessível à população é um compromisso com a justiça social. Valorizar as servidoras negras é defender o direito de toda a sociedade a viver com dignidade. Um Estado que respeita e promove a presença ativa das mulheres negras nas políticas públicas é um Estado comprometido com a democracia e com o enfrentamento ao racismo institucional, à desigualdade de gênero e à exclusão social.

O SINDSERV-SBC reconhece esse papel na garantia de um serviço público de qualidade com responsabilidade. Atua na denúncia do assédio institucional, na luta pela equiparação salarial, na valorização do trabalho invisibilizado e na defesa de políticas públicas que enfrentem desigualdades estruturais — como a Lei nº 7.243, de 26 de setembro de 2023, que reserva 25% das vagas nos concursos públicos a pessoas negras. O sindicato acompanha essa política e atua para que ela seja cumprida e respeitada em todas as esferas da administração pública. Em São Bernardo do Campo, segundo o portal da transparência, são 13.325 servidores ativos — o que reforça a importância de garantir não apenas a reserva de vagas, mas também o acesso justo às oportunidades por meio de uma educação pública de qualidade. Neste sentido, o SINDSERV-SBC oferece, sempre que há concursos no município, o Cursinho Popular Preparatório, ampliando as condições reais para que mais pessoas possam disputar essas vagas e ocupar espaços historicamente negados à população negra.

Neste 25 de julho, afirmamos: as mulheres negras são essenciais na defesa do serviço público e na ampliação da consciência crítica dentro e fora das instituições. Essa afirmação se fortalece todos os dias nas vozes negras que constroem o serviço público com dedicação, resistência e compromisso com a justiça social.

Juntas e juntos somos mais fortes! Só a luta justa e coletiva muda a vida.

Para saber mais, acesse o artigo de Tania Regina Pinto disponível em: https://primeirosnegros.com/tereza-de-benguela/

¹ LEI Nº 12.987, DE 2 DE JUNHO DE 2014. Dispõe sobre a criação do Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Presidenta DILMA ROUSSEFF

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