
Quem trabalha no serviço público sabe que cada eleição mexe diretamente com a vida dos servidores públicos: salário, carreira, estabilidade, concursos, condições de trabalho. Em 2026, essa conta precisa ser feita com atenção, porque a disputa presidencial não está decidida.
Reforma administrativa: o governo anterior (2019-2022) enviou ao Congresso a PEC 32/2020, que previa o fim da estabilidade para novos servidores em boa parte das carreiras, mais contratos temporários e maior discricionariedade na gestão de pessoal. Se o campo político ao qual esse projeto representa voltar ao poder, é razoável esperar que essa agenda volte à mesa.
Congelamento de salários: entre 2020 e 2021, a Lei Complementar 173 suspendeu reajustes e a contagem de tempo para vantagens do funcionalismo. Para muitas categorias, as perdas salariais acumuladas desde então ainda não foram recuperadas.
Discurso de desvalorização: durante o governo anterior (2019-2022), o serviço público foi repetidamente tratado como custo e privilégio, e não como a estrutura que garante saúde, educação, assistência e fiscalização. Esse enquadramento facilita cortes, terceirizações e o enfraquecimento de carreiras de Estado.
Sucateamento de serviços e órgãos: Redução de orçamento, concursos suspensos e perda de quadros afetam quem atende a população e quem fica sobrecarregado. Em municípios como São Bernardo, que dependem de repasses e programas federais para saúde e educação, o efeito chega à ponta.
Relação com as instituições e com a negociação coletiva: o debate público não pode se resumir a “verdade contra mentira”. Mas é legítimo lembrar que um governo hostil à imprensa, aos órgãos de controle e às organizações da sociedade civil tende a ser pouco aberto ao diálogo com sindicatos.

