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SINDSERV-SBC participa de encontro de sindicalistas e prefeitos com o presidente do Banco Central

Na tarde desta segunda-feira (09/06), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reuniu-se com representantes de mais de 20 entidades sindicais da região do ABC paulista e com os prefeitos Marcelo Oliveira (Mauá) e Marcelo Lima (São Bernardo do Campo). A reunião aconteceu na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo, e foi motivada por uma mobilização realizada em março, que reuniu cerca de 5 mil trabalhadores em defesa de uma agenda social e econômica voltada à classe trabalhadora.

Durante o encontro, lideranças sindicais destacaram os impactos sociais da manutenção da taxa Selic em patamares elevados, cobraram a redução dos juros e denunciaram a transferência dos custos econômicos da crise para os servidores públicos e para os usuários dos serviços públicos essenciais.

O presidente do SINDSERV-SBC, professor Dinailton Souza Cerqueira, foi um dos que se pronunciaram. Em sua fala, criticou as consequências do atual modelo de controle da inflação e relembrou o processo de desmonte das políticas públicas iniciado após o golpe de 2016.

“Enquanto você contava essas histórias, Galípolo, eu me lembrava do governo Temer – o governo do golpe – seguido por Bolsonaro. Sempre foram golpes contra nós, trabalhadores”, afirmou.

Dinailton também apontou como o sistema financeiro captura a renda do trabalhador desde o início da vida profissional: “Recebeu o primeiro salário, já recebe junto a oferta de cartão de crédito e empréstimos. É um endividamento precoce, que fragiliza a vida do assalariado.”

Apesar do aumento no emprego e na renda, o dirigente ressaltou que o poder de compra segue comprometido: “A picanha até dá para comprar, porque tem emprego. Mas está mais cara por causa dos juros.”

Dados apresentados por Dinailton reforçaram a crítica: enquanto no governo Bolsonaro a inflação dos alimentos chegou a 46% (média anual de 9,97%), nos dois primeiros anos do governo Lula a taxa caiu para 8,8% (média de 4,3%). Ainda assim, segundo ele, a política do Banco Central continua a impor juros altos, com efeitos negativos sobre os mais pobres.

“Quando é que vamos ver, de fato, a redução da taxa de juros?”, questionou.

Juros altos corroem orçamento público e retiram direitos

A crítica dos sindicalistas tem fundamento técnico: manter a Selic elevada significa destinar parcelas crescentes do orçamento público ao pagamento da dívida, favorecendo bancos e investidores. Com a Lei de Responsabilidade Fiscal impondo limites rígidos de gastos, o crescimento dos encargos da dívida resulta, na prática, em menos recursos para educação, saúde, assistência e infraestrutura.

Nesse cenário, como alertaram as lideranças presentes, os direitos sociais são comprimidos e os serviços públicos precarizados, penalizando exatamente aqueles que mais precisam do Estado.

(Foto: Adonis Guerra – SMABC)

 

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